Lucro e caixa

Pró-labore na estética: quanto você pode tirar sem quebrar o caixa

Equipe SEI+ Estética · 31 de outubro de 2026 · leitura de 6 min

"Eu pego o que precisa." É assim que muita profissional da estética responde quando alguém pergunta quanto é o salário dela. O Pix da conta de luz sai da mesma conta que paga o fornecedor. O mercado do mês sai do dinheiro que era para o imposto. No fim do ano, ninguém sabe se o negócio deu lucro ou se a dona só trabalhou muito.

Pró-labore é o salário de quem é dona. Ter um valor fixo, todo mês, é o primeiro passo para enxergar se a clínica se paga.

Três jeitos de definir o valor

MétodoComo funcionaExemplo ilustrativo
Pela necessidadeSeu custo de vida + 10% de folgaAna: 3.200 × 1,10 = R$ 3.520
Pela porcentagem30% a 40% do faturamento médio dos últimos 3 meses, para quem atende sozinhaCarla: 12.000 × 33% = R$ 3.960, arredondado para R$ 4.000
Piso mais participaçãoUm fixo menor todo mês e uma parte do lucro do trimestreFernanda: piso de R$ 3.000 + 30% do lucro trimestral

O terceiro método é o mais prudente para quem tem meses muito diferentes entre si.

O teste que mostra o limite

Qualquer valor precisa passar por uma conta simples. Primeiro, a margem de contribuição: o faturamento menos tudo o que varia com a venda (imposto, cartão, produtos e comissões).

No caso da Carla (ilustrativo): faturamento de R$ 12.000, custos variáveis de R$ 2.700. Margem de contribuição: R$ 9.300. As despesas fixas da sala, sem o salário dela, são R$ 2.670.

Pró-labore máximo = margem de contribuição − despesas fixas = 9.300 − 2.670 = R$ 6.630.

Nesse valor, o lucro do negócio seria zero: nada para reserva, nada para trocar o equipamento. Por isso a Carla tira R$ 4.000 e deixa R$ 2.630 de lucro no mês.

Se o valor de que você precisa para viver passa do máximo, a resposta não está em tirar "o que der". Está no preço ou na agenda.

As caixinhas: dinheiro com nome

Separar o pró-labore resolve metade do problema. A outra metade é não gastar o dinheiro que já tem dono. Toda semana, separe uma porcentagem do que entrou:

CaixinhaComo calcularCarla
ImpostosAlíquota efetiva informada pelo contador6%
Reposição de produtosGasto com produtos ÷ faturamento dos últimos 3 meses12,5%
EquipamentosValor dos equipamentos ÷ vida útil em meses ÷ faturamento4%
Reserva5% a 10% até chegar a 3 meses de custos fixos8%
OperaçãoO que sobra fica na conta principal69,5%

Numa semana com R$ 2.140 de entradas, a Carla separa R$ 128,40 para impostos, R$ 267,50 para reposição, R$ 85,60 para equipamentos e R$ 171,20 para a reserva. Dinheiro de imposto, de produto e da reserva fica em aplicação de baixo risco e resgate imediato. Não se arrisca.

Duas contas no banco, uma regra

Abra uma conta só para o negócio, se ainda não tem. Todas as entradas caem nela. Uma vez por mês, no mesmo dia, transfira o pró-labore para a sua conta pessoal. Gasto da casa sai da conta pessoal, sempre.

Parece pouco. É o que faz o resultado do mês aparecer de verdade.

Os casos são ilustrativos. Confirme alíquotas e o formato do pró-labore com o seu contador.

Próximo passo

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