Pró-labore na estética: quanto você pode tirar sem quebrar o caixa
"Eu pego o que precisa." É assim que muita profissional da estética responde quando alguém pergunta quanto é o salário dela. O Pix da conta de luz sai da mesma conta que paga o fornecedor. O mercado do mês sai do dinheiro que era para o imposto. No fim do ano, ninguém sabe se o negócio deu lucro ou se a dona só trabalhou muito.
Pró-labore é o salário de quem é dona. Ter um valor fixo, todo mês, é o primeiro passo para enxergar se a clínica se paga.
Três jeitos de definir o valor
| Método | Como funciona | Exemplo ilustrativo |
|---|---|---|
| Pela necessidade | Seu custo de vida + 10% de folga | Ana: 3.200 × 1,10 = R$ 3.520 |
| Pela porcentagem | 30% a 40% do faturamento médio dos últimos 3 meses, para quem atende sozinha | Carla: 12.000 × 33% = R$ 3.960, arredondado para R$ 4.000 |
| Piso mais participação | Um fixo menor todo mês e uma parte do lucro do trimestre | Fernanda: piso de R$ 3.000 + 30% do lucro trimestral |
O terceiro método é o mais prudente para quem tem meses muito diferentes entre si.
O teste que mostra o limite
Qualquer valor precisa passar por uma conta simples. Primeiro, a margem de contribuição: o faturamento menos tudo o que varia com a venda (imposto, cartão, produtos e comissões).
No caso da Carla (ilustrativo): faturamento de R$ 12.000, custos variáveis de R$ 2.700. Margem de contribuição: R$ 9.300. As despesas fixas da sala, sem o salário dela, são R$ 2.670.
Pró-labore máximo = margem de contribuição − despesas fixas = 9.300 − 2.670 = R$ 6.630.
Nesse valor, o lucro do negócio seria zero: nada para reserva, nada para trocar o equipamento. Por isso a Carla tira R$ 4.000 e deixa R$ 2.630 de lucro no mês.
Se o valor de que você precisa para viver passa do máximo, a resposta não está em tirar "o que der". Está no preço ou na agenda.
As caixinhas: dinheiro com nome
Separar o pró-labore resolve metade do problema. A outra metade é não gastar o dinheiro que já tem dono. Toda semana, separe uma porcentagem do que entrou:
| Caixinha | Como calcular | Carla |
|---|---|---|
| Impostos | Alíquota efetiva informada pelo contador | 6% |
| Reposição de produtos | Gasto com produtos ÷ faturamento dos últimos 3 meses | 12,5% |
| Equipamentos | Valor dos equipamentos ÷ vida útil em meses ÷ faturamento | 4% |
| Reserva | 5% a 10% até chegar a 3 meses de custos fixos | 8% |
| Operação | O que sobra fica na conta principal | 69,5% |
Numa semana com R$ 2.140 de entradas, a Carla separa R$ 128,40 para impostos, R$ 267,50 para reposição, R$ 85,60 para equipamentos e R$ 171,20 para a reserva. Dinheiro de imposto, de produto e da reserva fica em aplicação de baixo risco e resgate imediato. Não se arrisca.
Duas contas no banco, uma regra
Abra uma conta só para o negócio, se ainda não tem. Todas as entradas caem nela. Uma vez por mês, no mesmo dia, transfira o pró-labore para a sua conta pessoal. Gasto da casa sai da conta pessoal, sempre.
Parece pouco. É o que faz o resultado do mês aparecer de verdade.
Os casos são ilustrativos. Confirme alíquotas e o formato do pró-labore com o seu contador.
Veja o seu número em minutos
A Calculadora CAIXA AZUL mostra a margem de cada procedimento, o ponto de equilíbrio e o pró-labore que cabe no seu negócio. Funciona no celular e no computador.
Leia também
Registro de atendimento: o que anotar em cada sessão para se proteger
O que registrar em cada procedimento estético, como padronizar as fotos e onde guardar tudo com segurança. Um guia prático para profissionais da estética.
Ler em 6 min →Agenda cheiaAgenda vazia: os 3 números que mostram onde a cliente se perde
Antes de postar mais, descubra se o problema da sua agenda está no contato, no agendamento ou no retorno. Três contas simples e o que fazer em cada caso.
Ler em 5 min →