Quanto cobrar por uma limpeza de pele: a conta em 5 passos
Carla atende em Ribeirão Preto, numa sala alugada, e cobra R$ 120 pela limpeza de pele de 90 minutos. Chegou a esse número do jeito mais comum: olhou o Instagram de três concorrentes e ficou um pouco abaixo da média. No fim do mês, a agenda estava cheia e a conta, vazia.
O problema não era a Carla trabalhar pouco. O preço dela foi copiado de quem tem outros custos, outro aluguel e outra agenda. A conta abaixo usa os números dela (um caso ilustrativo) e você pode refazer com os seus em 15 minutos, com papel e calculadora.
Passo 1. Some os seus custos fixos, com o seu salário dentro
Custo fixo é tudo o que você paga mesmo sem atender ninguém: aluguel, condomínio, luz, internet, contador, sistema, parcela do equipamento e o seu pró-labore. O pró-labore é o seu salário. Se ele não entra na conta, o preço sai baixo e você trabalha de graça sem perceber.
No caso da Carla: R$ 2.670 de despesas da sala e R$ 4.000 de pró-labore. Custo fixo: R$ 6.670 por mês.
Passo 2. Descubra quantas horas você atende de verdade
Aqui mora o erro mais caro. Não vale contar as horas em que a sala está aberta. Vale contar as horas em que havia cliente na maca, nas últimas quatro semanas.
A Carla abre 20 dias por mês, 8 horas por dia, e a agenda fica 60% ocupada. São 20 × 8 × 0,60 = 96 horas reais. Se você não tem esse histórico, use 50% até ter.
Passo 3. Calcule quanto custa cada hora da sua agenda
Divida o custo fixo pelas horas reais: R$ 6.670 ÷ 96 = R$ 69,48 por hora.
Esse é o valor que cada hora de atendimento precisa pagar antes de qualquer produto. Uma limpeza de 90 minutos consome 1,5 hora: 1,5 × 69,48 = R$ 104,22 só de tempo. Some os produtos (R$ 22) e os descartáveis (R$ 9) e você chega ao custo base de R$ 135,22.
Repare: a Carla cobra R$ 120. Antes de pagar imposto e cartão, ela já perde R$ 15 por atendimento.
Passo 4. Inclua o que sai em porcentagem: imposto e cartão
Imposto e taxa da maquininha não são valores fixos, são uma fatia do preço. Por isso a conta é uma divisão, não uma soma.
A Carla está no Simples Nacional (cerca de 6%, confirme a sua alíquota com o contador) e paga em média 4% de cartão, misturando Pix, débito e crédito. Total: 10%.
Preço mínimo = custo base ÷ (1 − percentuais) = 135,22 ÷ 0,90 = R$ 150,24.
Abaixo do mínimo, cada atendimento tira dinheiro do seu bolso. Arredonde sempre para cima.
Passo 5. Coloque a margem e chegue ao preço ideal
O preço mínimo empata. O negócio precisa de sobra para trocar equipamento, formar reserva e crescer. Essa sobra é a margem.
Com 15% de margem: preço ideal = custo base ÷ (1 − percentuais − margem) = 135,22 ÷ 0,75 = R$ 180,29.
Para conferir: de R$ 180,29, saem R$ 18,03 de imposto e cartão e R$ 135,22 de custo base. Sobram R$ 27,04, que são exatamente 15% do preço.
| Valor | |
|---|---|
| Preço que a Carla cobrava | R$ 120,00 |
| Preço mínimo | R$ 150,24 |
| Preço ideal | R$ 180,29 |
"Mas se eu subir o preço, vou perder clientes"
Talvez perca algumas. A pergunta certa é quantas você pode perder sem faturar menos. Num reajuste de 20%, você empata no faturamento mesmo perdendo 16,7% das clientes, e ainda ganha horas livres na agenda. Num reajuste de 30%, pode perder até 23,1%.
O caminho mais seguro costuma ser em duas etapas: subir já até o mínimo e chegar ao ideal em até seis meses, avisando as clientes com antecedência e explicando o que está incluído.
E o desconto do pacote?
O desconto máximo é a distância entre o ideal e o mínimo: 1 − 150,24 ÷ 180,29 = 16,7%. Use no máximo a metade disso, cerca de 8%. Assim o pacote continua acima do mínimo mesmo quando a cliente paga no cartão.
Resumo para colar na parede
- Custo fixo com o seu pró-labore dentro.
- Horas reais, não horas abertas.
- Custo da hora = fixo ÷ horas reais.
- Mínimo = custo base ÷ (1 − imposto − cartão).
- Ideal = custo base ÷ (1 − imposto − cartão − margem).
O caso da Carla é ilustrativo. Confirme a sua alíquota com o contador e a sua taxa com a operadora da maquininha.
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